Trecho da BA-161 de Gameleira da Lapa à BR-242 Continua Abandonado

A realidade dura de falta de rodovia ainda é visível para parte do município de Sítio do Mato e Muquém do São Francisco. Mesmo com elevado potencial, dentro da fronteira agrícola do MATOPIBA, Sítio do Mato ainda tem dificuldade de atrair investimento devido falta de infraestrutura adequada.

Outro fator a ser considerado é que Sítio do Mato é o primeiro ou o segundo município com o maior número de Assentamentos de Reforma Agrária do Estado da Bahia. Soma-se a estas unidades um dos Quilombos mais importante do Brasil, localizado na comunidade de Mangal-Barro Vermelho.

Como o município de Sítio do Mato é extenso, cerca de 1.627 km², a infraestrutura viária (vicinais e rodovia) é indispensável para a população dispersa, estudantes rurais e também para a produção agropecuária, principal atividade do município, seja familiar ou empresarial.

A Rodovia

A Rodovia BA-161 percorre quase toda extensão da margem esquerda do Rio São Francisco na Bahia, principalmente no Território de Identidade do Velho Chico. Entretanto, o trecho que liga a BR-349 à BR-242 que foi construído em meados de 1991 pelo Governo Nilo Coelho, onde corta todo município de Sítio do Mato, começou a entrar em colapso a partir de 2005. (Clique na imagem abaixo para ampliar)


Em 2009 praticamente não existia mais rodovia; a população já tinha seríssimas dificuldades de se locomover e a produção entrou em declínio em razão da falta de escoamento da produção; por último, as chuvas decretaram o "fim" da rodovia. O reflexo veio em 2010, quando o Censo do IBGE apontou que o município rico de Sítio do Mato detinha a maior parcela da sua população na extrema pobreza. Esse indicador, segundo um especialista consultado, foi reflexo sim da "falta de estrada."

Marcas e Prejuízos

Os prejuízos financeiro, econômico, social e humano ao município de Sítio do Mato, além de incalculáveis talvez tenha sido, relativamente, um dos piores da história recente da Bahia. A dependência por rodovia é um item básico na vida de qualquer ser humano. E esta cicatriz está marcada na história do novato município, o que vai necessitar do poder público de um um cuidado especial e reparativo para com o povo sitiomatense.

A Restauração

Segundo informações, apesar de ser contínua para fins de engenharia, o percurso da rodovia que corta o município é dividida em três trechos:

i) Trecho 1: BR-349 à Cidade de Sítio do Mato
ii) Trecho 2: Cidade Sítio do Mato ao Trevo e Acesso ao Distrito de Gameleira da Lapa
iii) Trecho 3: Trevo do Distrito de Gameleira da Lapa à BR-242

Mesmo com sérias dificuldades, a população veio ter um alívio em 2013, quando o Governo do Estado recuperou o Trecho 1. Mas o sofrimento para boa parte da população e dos produtores continuou no município nos anos subsequentes. Esse trecho pode ser considerado a porta de ligação com os demais municípios e de acesso à outros estados.

O Trecho 2 iniciou a recuperação em 2014, e após sucessivas paralisações e retomadas, foi finalizada próximo ao final de 2016. Mas antes disso, no início do ano de 2016 o Distrito de Gameleira da Lapa ficou isolado no período chuvoso devido a interdição total da rodovia, somado interdição da estrada vicinal, em razão da cheia do rio. Os ganhos na região já começaram no final de 2016, com um grande fluxo de turistas e visitantes ao histórico distrito. Este trecho pode ser considerado fundamental para o turismo e para as atividades produtivas no município e região.


O Trecho 3 talvez seja um dos mais importante da BA-161, uma vez que contempla a maior porção da produção Agropecuária do município, além de ser aquele que congrega as maiores Fazendas e boa parte dos assentamentos rurais. É principal ligação da região para as regiões de Barreiras e Salvador. A integração com os municípios vizinhos de Muquém de São Francisco e Ibotirama sempre foram vitais para a dinâmica municipal em Sítio do Mato.

Até o momento, nossa redação não identificou nenhuma licitação que contempla o Trecho 3, apesar de recebermos informação que a mesma está na pauta da SEINFRA que será recuperada. Pesquisamos no Orçamento de 2017 do Estado da Bahia, também não foi detectado.

O Que Esperar

O Trecho 3 não tem mais condições de espera, motivo de promessa ou qualquer lentidão do setor público. As perdas mais severas continuam, uma vez que com a seca castigante potencializa os prejuízos no município e qualidade de vida da população.

Além de diversos empregos estarem em riscos, estudantes terão consequências para sempre em suas vidas, seja na capacidade de adquirir conhecimento ou seja na qualidade de vida que terão. Estrada está quase no mesmo patamar de água, energia, saúde e educação como necessidade básica.

Alguns especialistas sugerem, dada as dificuldades de articulação e presença do Governo na região, a federalização de toda rodovia. Sua extensão segue as linhas do Rio São Francisco, o que seria uma boa justificativa para a transferência, destaca um especialista.

Por fim, espera-se que o Governo realize as intervenções nesse trecho de forma mais urgentes possíveis, que a licitação sai o quanto antes, para enfim a população afetada poder respirar e almejar um futuro melhor. Porque se continuar do jeito que está a seca será um problema menor diante da falta de estrada na região. Produtores, trabalhadores, turistas e comerciantes já mostraram a total insatisfação com a precária situação da rodovia baiana.

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