Eleições 2016: Representação Política no Distrito de Gameleira da Lapa Entra em Colapso

Um dos maiores distritos municipais da Bahia perdeu poder político em um momento crucial do seu crescimento. Gameleira da Lapa vem se expandindo gradativamente, ao mesmo tempo que exige dos representantes públicos incisivas atuações para implantar, ampliar e melhorar os serviços públicos prestados na localidade.

A necessidade de aumentar a participação política é visível. A população até se empenha durante o processo eleitoral, participando ativamente das campanhas, mas recuam depois disso. É preciso trazer novas ideias que contribuam na melhoria do interesse e do envolvimento dos cidadãos, para que possam ter ciência dos seus próprios destinos.

Após a emancipação política de Sítio do Mato em 1989, de um total de oito mandatos eletivos, o distrito por três mandatos consecutivos iniciais detinha o vice-prefeito do município. De lá pra cá, nos cinco mandatos seguinte (já incluindo o pleito de 2016), Gameleira saiu do mapa do poder executivo.

A decadência política da unidade administrativa foi consolidada com a perda contínua de seus representantes no legislativo. Por dois períodos, a comunidade detinha três vereadores; e também em dois pleitos possuiu dois representantes no câmara.


Além de José Fárias (Zé Preta) no primeiro mandato do município, Kátia Oliveira vinha sendo a única representante do emergente Distrito. As dificuldades para se eleger vereador(a) por Gameleira eram crescentes e culminaram com a não eleição de seus candidatos a vereador(a) em 2016.

Nas eleições deste ano, houve uma forte pulverização dos votos. O excesso de candidatos no geral diminuiu a probabilidade do Distrito consegui vaga no legislativo Municipal. As lideranças políticas, empresariais e comunitárias não se articulam, mesmo com as diferenças partidárias, em prol do Distrito; e associada a falta de informação e de perspectiva na região também elevaram a vulnerabilidade, o que agravou o cenário político local.

Em torno de dez candidatos pela localidade foram às urnas em 2016. A taxa de votação nos candidatos gameleirenses, pelos eleitores locais, foi na ordem de 43%. Isto significa que dos 1.412 votos direcionados a vereador, a cada dez eleitores seis votaram em candidatos de fora do domicílio eleitoral (local). O curioso é que a taxa de votação externa (os votos obtidos pelo candidatos fora de gameleira) foi na ordem de 18%, isto significa que os candidato(a)s concentraram suas votações única e exclusivamente em Gameleira (82%), dificultando ainda mais o processo.

Cabe destacar que os melhores representantes não precisam necessariamente ser da localidade. Mas diante das circunstância dos pequenos municípios e distantes dos grandes centros, da má prestação dos serviços públicos, ter um representante local é crucial para guiar os rumos e as necessidades de serviços públicos. Vale lembrar também que parte do eleitorado das sessões em Gameleira são moradores das comunidades vizinhas, o que pode alterar (parcialmente) a leitura dos dados

Todos os vereadores eleitos obtiveram votação em Gameleira, de acordo com a matéria sobre os resultados das eleições. Entretanto, dois chamaram atenção pela expressiva votação no distrito, Cacau e Marta de Adão. Neste cenário, ambos passam a ter extrema responsabilidades e terão tarefa especial de atender as demandas da população junto ao Prefeito e demais entidades públicas, seja estadual ou federal.


Diferentemente de Gameleira, a comunidade de Vale Verde conseguiu mais uma vez eleger seu representante na Câmara. Sítio do Mato manteve o quadro da maioria, no qual seis vereados residem na sede do município. No entanto, espera-se que os noves vereadores atuem em favor de todo o município.

O que se observa é que o Distrito vem se desenvolvimento notoriamente, com aumento substancial da população e dinamismo no setor de comércio e turismo, mas vem perdendo força política significativamente. A degradação política da comunidade não corresponde aos avanços percebidos e das necessidades futuras. Os crônicos problemas da saúde publica, de saneamento, educação e segurança na localidade precisam ser tratados e dialogados constantemente na câmara e na prefeitura.

A população do Distrito precisa passar por uma reflexão profunda, buscando colocar em um processo eleitoral a representação política da localidade em primeiro lugar, ante julgar a vida pessoal dos candidatos, como justificativa para não votar nos mesmos. Por fim, é melhor exigir ação pública de um vereador ou prefeito do que favores pessoais, como razão de escolha para o futuro da localidade.

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