Sítio do Mato está no Seleto Grupo do MATOPIBA

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Written by: Editorial

O potencial agropecuário do município de Sítio do Mato sempre foi levantando por produtores e especialistas do setor. Agora, o município recebeu o selo de garantia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e entra para o seleto grupo da maior fronteira agrícola do Brasil, conforme Portaria no Diário Oficial da União.

A expressão MATOPIBA resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão (33% da área), Tocantins (38%), Piauí (11%) e da Bahia (18%). A região conta com quase 6 milhões de pessoas e abrange 337 municípios com 324 mil estabelecimentos agrícolas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualmente a área engloba 73 milhões de hectares, com potencial de serem incorporados à área plantada mais 10 milhões de hectares.

Segundo o Ministério da Agricultura, o MATOPIBA se consolida como uma região estratégica para atender aos mercados interno e externo, com a proximidade de importantes portos do Norte, como os de Belém, Itaqui, Pecém e Suape. Mesmo ainda em processo de construção, a  Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul, na Bahia, serão outros importantes canais logísticos que vão fortalecer esse espaço geográfico selecionado.

Para o Ministério, por suas peculiaridades, como baixo preço das terras e uniformidade do clima, solo e relevo, que permitem e facilitam a mecanização agrícola, a região tem atraído agricultores de todo país. O Mapa pretende apoiar o crescimento sustentável dos produtores com investimento em tecnologia, pesquisa em agricultura de precisão e assistência técnica.

A Embrapa, que coordena o Grupo de Inteligência Territorial Estratégica, é responsável por extenso trabalho feito sobre o território, denominado de Desenvolvimento Territorial Estratégico para Região do MATOPIBA, em parceria com o Incra/MDA.

População

A população total do Matopiba é de cerca de 6,0 milhões. Do total de 250.238 estabelecimentos rurais, 85% têm mais que 100 hectares e exploram principalmente lavouras temporárias e permanentes, hortícolas, bovinos, leite, porcos, aves e ovos.

Renda

Os dados coletados pela Embrapa mostram concentração de renda e pobreza na região. Do total de estabelecimentos, 80% são muito pobres (renda mensal de 0 a 2 salários mínimos) e geraram apenas 5,22% de toda a renda bruta do Matopiba. 14% são pobres e geraram 8,35 % da riqueza na região. 5,79% são classe média e responsáveis por 26,74% da renda.

Somente 0,42% das propriedades são ricas (renda mensal de 200 salários mínimos) e geraram 59% da renda bruta da região.

Natureza

Há três biomas no Matopiba, mas o cerrado prevalece em 90,9% de toda a área. Em seguida está Amazônia (7,2%) e Caatinga (1,64%). Quatro regiões hidrográficas importantes estão localizadas ali, a Tocantins-Araguaia, o Parnaíba, o Atlântico Nordeste Ocidental e o São Francisco.

Quadro agrário

Ainda segundo a Embrapa, em toda a extensão do Matopiba há 19% áreas legalmente atribuídas, sendo 46 unidades de conservação, 35 terras indígenas, 745 assentamentos e 36 quilombolas.

Municípios

Com a Portaria nº 244, de 12 de novembro de 2015, o Governo divulgou os 337 municípios que fazem parte do plano de desenvolvimento agropecuário do MATOPIBA. Entre os 30 municípios baianos listados, Sítio do Mato está contemplado.

Sítio do Mato

Visto como estratégico aos “olhos” do Governo Federal, o Município de Sítio do Mato, no Oeste da Bahia, precisa ser mais efetivo nas melhorias de infraestrutura, tecnológicas e da força de trabalho. Esta seria uma forma de preparação para este novo cenário que se inicia.

A malha rodoviária (BA-161) do município é crucial para melhorar a autoestima dos empreendedores e produtores, bem como incentivar a chegada de investidores na região. A federalização desta rodovia seria uma saída para acelerar o avanço na gestão logística, já que “Brasília (Governo Federal)” está cada vez mais presente e tem maior visibilidade da região do que “Salvador (Governo do Estado)”, segundo um especialista consultado.

A revolução tecnológica deve propiciar uma inovação nos moldes de produção em Sítio do Mato, com as grandes, médias e pequenas propriedades com elevado poder de articulação, melhorando a comercialização, eficientizando os custos e aumentando a produtividade. Para isso, os pequenos proprietários – maioria na região- é necessário criar cooperativas especificas de que cada finalidade de produção, aumentar a escala de investimento e produção. Assim, estes podem se integrar a famosa cadeia do agronegócio brasileiro.

Segundo Igor Henrique, agrônomo pela Faculdade São Francisco de Barreiras, “o que mais falta na agropecuária de Gameleira da Lapa e Sítio do Mato é incentivo e transferência de conhecimento aos produtores pelo poder público”. No Banco do Nordeste existem “várias opções e linhas de financiamento aos pequenos produtores, mas falta estratégia por parte do Banco e paciência de absorção das informações pelos produtores”.

É previsto também trabalho conjunto de entidades prestando assistência técnica e instituições creditícias capacitando e financiando os produtores locais, o que pode estruturar toda essa mudança ideal esperada decorrente da entrada do município no MATOPIBA.

Para o agrônomo da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, Eduardo Duarte, “a falta de competitividade da agropecuária sitiomatense está associada à baixa produtividade, inexistência de agroindústrias e infraestrutura logística ruim, inviabilizando vários empreendimentos do campo”.

Ainda segundo Eduardo, é preciso “aproveitar os programas e projetos disponíveis, tanto pelo Governo do Estado quanto pelo Governo Federal, no intuito de fortalecer e integrar a cadeias produtivas aos mercados”.

Mesmo Sítio do Mato tendo uma das áreas com maior número de Assentamentos Rurais em toda Bahia, a inclusão desses espaços na dinâmica da região seria feita gradualmente, com a ampla assistência das instituições envolvidas.

Enquanto isso, a aposta de muitos especialistas do setor pode dar certo na região. De acordo com o graduando em Agronomia pela UNEB de Barreiras, Maxuel Araújo, “a integração lavoura-pecuária (ILP) tem potencial e viabilidade no município de Sítio do Mato, principalmente quando se trata de recuperação de pastagem degradas e na resolução de problemas graves que assola a região na estação da seca.  Além disso, “se aliamos esse modelo   com assistência técnica de qualidade e de forma permanente  junto com o cooperativismo e associativismo podemos alcançar ótimos resultados para nossa região”.

A formação de força de trabalho deve se acelerar, com cursos técnicos, extensões e aperfeiçoamento do conhecimento ligado a atividades agropecuárias ou ao agronegócio. Atualmente, existe um quadro razoável de agrônomos, além de técnicos formados em Zootecnia, Agricultura e Apicultura dispersos no município.

A inclusão de Sítio do Mato no MATOPIBA é um aviso do futuro que a vida de toda população do município pode mudar, com inclusão social e econômica, geração de emprego e renda, e principalmente, desenvolvimento sustentável.

Antes um município abandonado, dependente de outros municípios, e com sua população sem muitas perspectivas, Sítio do Mato tem uma chance clara de sair do século XIX  e entrar de vez para o século XXI, basta a população se preparar para esta nova oportunidade, com força de vontade e sabedoria.

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