Mangal Barro Vermelho (Quilombolas)

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MANGAL BARRO VERMELHO

O Quilombo de Mangal Barro Vermelho, assim denominado desde seu reconhecimento em 17 de abril de 1998, comunidade com 295 famílias, historicamente são reconhecidos em seu entorno como negros feiticeiros, ou simplesmente “mangazeiros”, expressão utilizada para se referirem aos moradores do Mangal e tem uma conotação pejorativa relacionada com a origem escrava da comunidade, com a condição de afro-descendente, e às práticas religiosas relacionadas ao candomblé, identificação rejeitada por eles durante muito tempo, mas ressignificada após a conquista da terra quando se tornam quilombolas, uma comunidade dentro do nosso município na qual seu passado confunde com a que estudamos no ensino fundamental nas introduções da história do Brasil. A fazenda Barro Vermelho, hoje Quilombo de Mangal Barro Vermelho, pertenceu aos fazendeiros Avelino Freitas, Lamartine Roriz, seu genro, ao Banco Econômico e por ultimo ao Grupo Aliança da Bahia. Em janeiro de 1999, foi titulada uma área de 153 hectares pelo Instituto de Terras da Bahia (Interba) em conjunto com a Fundação Cultural Palmares. Foi a primeira comunidade baiana a ser titulada pelo órgão Estadual. Já em julho de 2000, outros 7.615 hectares foram titulados pela Fundação Cultural Palmares,(Atualmente ocupa uma Área Titulada 15.237,9286 hectares). Antes da conquista da titulação, porém, os quilombolas de Mangal/Barro Vermelho experimentaram a violência e o conflito. E, como outras comunidades quilombolas, resistiram.
     Com a instituição da Lei de Terras em 1850 iniciou-se o primeiro processo de expulsão violenta de população negra residente na região. As conseqüências só não foram mais graves devido a um fato curioso relatado pelos comunitários mais idosos. Na Fazenda Mangal, o proprietário era conhecido como capitão João e tinha uma filha adotiva, chamada Gertrudes. Em dado momento da história, Gertrudes teria se apaixonado por um vaqueiro da região. Seu pai, desgostoso com o relacionamento, mudou-se para outra propriedade deixando sua filha em Mangal. Algum tempo depois, Gertrudes achou por bem doar grande parte da Fazenda Mangal a Nossa Senhora do Rosário, padroeira do lugar. Na memória da comunidade a doação teria acontecido após a abolição. Com a doação, a fazenda ficou relativamente desvinculada dos conflitos. A comunidade já residente ficou um pouco resguardada naquela porção de terra e pôde inclusive receber outras pessoas expulsas das localidades próximas. Não faltaram, porém, algumas tentativas de fazendeiros e grileiros de se apropriar da área. A partir de 1970, os incentivos econômicos proporcionados pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) motivaram uma nova tentativa de expulsão dos quilombolas de suas terras. O símbolo maior daquele tempo foi o cercamento das terras por grileiros ou fazendeiros que pretendiam delimitar ou expandir seus domínios. Na década de 1990, amparados pelo artigo 68 da ADCT da Constituição Federal e pelo artigo 51 da Constituição do Estado da Bahia, os quilombolas passaram a reivindicar a titulação de suas terras. Reivindicação que foi atendida com a entrega dos títulos outorgados em 1999 e 2000.

FESTEJOS

Festa da Marujada

O calendário das festas no Mangal Barro Vermelho é repleto de homenagens e agradecimentos a santos da Igreja católica. Em janeiro, são realizadas as festas de Reis e de São Sebastião. Em junho, a festa de Santo Antônio. Em outubro, homenageia-se Nossa Senhora do Rosário e em dezembro Nossa Senhora da Conceição. São Gonçalo é outro santo devotado pela comunidade e as homenagens que lhe são rendidas acontecem várias vezes ao ano. As festas em geral são acompanhadas da queima de fogos, de rodadas de cachaça e refrigerante, samba de roda e ceia. Além das datas tradicionais, as homenagens aos santos podem também ser realizada em outras ocasiões, quando, por exemplo, um comunitário necessita pagar uma promessa ou se pretende homenagear uma pessoa falecida. São os festejos a Nossa Senhora do Rosário, padroeira da região, e a Nossa Senhora da Conceição que mais movimentam a comunidade e nos quais se realiza a Marujada, ritual praticado exclusivamente por homens e que inclui cantos e encenações.
     A Marujada inicia-se no alvorecer do dia, em um porto localizado nos limites da comunidade. Os marujos postam-se de pé em canoas e, navegando aos pares, chegam até o porto de Mangal. Durante o trajeto, a população local acompanha das margens do rio a passagem da Marujada e a saúda com fogos de artifício. Chegando ao porto de Mangal, os marujos descem de suas canoas e se dirigem à igreja, marchando e saudando a padroeira e os santos devotados. A Marujada tem como figuras centrais: o mestre, o contra-mestre, o "ração" e o "careta". Ao mestre cabe entoar cantos e conduzir cerca de 30 homens (denominado pelotão) que o acompanham com seus pandeiros, vozes e marcha ritmada. No intervalo entre um canto e outro, o mestre convoca o "ração". Fechando o pelotão que acompanha o mestre, o "ração" é um menino que atende rapidamente ao chamado e se dirige para frente do grupo. Em seguida, bate continência ao mestre e enuncia: "Pronto patrão!". A partir daí, o mestre passa a questionar o "ração" sobre a disponibilidade da tropa para seguir. A cada resposta o pelotão realiza uma batida com os pés e uma pancada seca dos pandeiros. Durante a passagem da Marujada, o contra-mestre tem a função de controlar a evolução da tropa, corrigindo os descompassos e ritmos irregulares. Já o quarto personagem central é o "careta", que, com vestimenta especial, portando chibata e adornado com uma máscara no rosto, açoita aqueles que o provocam ou que ele deseja assustar.
     Mangal Barro Vermelho Município Sítio do Mato Unidade da Federação Bahia População 295 famílias Dimensão da Área Titulada 15.237,9286 hectares Data da Outorga do Titulo 14/07/2000 Órgão Expedidor Fundação Cultural Palmares Título registrado em cartório Sem Informação Existência de Novo Processo de Titulação.

Data da Última Atualização 13/11/2007.

Fonte: A LUTA DA COMUNIDADE DE MANGAL BARRO VERMELHO PELO CONTROLE POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA - Sandra Nivia Soares de Oliveira. in http://www.koinonia.org.br/oq/noticias_detalhe.asp?id=1405. SILVA, Valdélio Santos. "Rio das Rãs à Luz da Noção de Quilombo", in Revista Afro-Ásia nº 23, 2000, Bahia. Foto: Ricardo Teles.

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