A Triste Realidade do Trecho da Rodovia BA-161 no Município de Sítio do Mato

Written by: Editorial

O trecho da rodovia BA-161, entre o trevo da Gameleira da Lapa até a BR-242, é considerada umas das, senão a pior estrada de toda a Bahia. Essa classificação é reforçada pelas condições da via e principalmente pelo tempo de profunda degradação, pois já são mais de 10 anos nessa situação. Isso mesmo, 10 anos!

As condições humanas relatadas pelos cidadãos que moram nas diversas comunidades no entorno e também de quem reside e trabalha nas fazendas de grande e médio porte, próximas ao referido trecho, são alarmantes. Esses "baianos" sofrem pra sobreviver, e quando precisam se locomover por diversos motivos, como ir ao médico, ir para a escola, transportar sua produção tem-se um verdadeiro impeditivo. Com a chegada das chuvas a trafegabilidade praticamente se esgota.

A solução dessa estrada é tão difícil que nem mesmo um protesto realizado em julho de 2017 foi capaz de sensibilizar os poderosos da capital Salvador. Na ocasião, centenas de pessoas afetadas pelas condições da via nos municípios de Sítio do Mato, Muquém do São Francisco e Brejolândia paralisaram a BR-242 por cerca de 2 horas. O protesto pacífico teve apoio dos diversos caminhoneiros da região Oeste da Bahia que transitavam no momento.

A BA-161 corta todo o município de Sítio do Mato, ligando a BR-349 a BR-242 em três trechos. A degradação da rodovia se iniciou no ano de 2006, tendo se agravado em 2008. Segundo informações esta é uma das principais causas de ter jogado a população do município de Sítio do Mato na extrema pobreza. O massacre foi tão duro que o município foi considerado o mais pobre em todo o Estado da Bahia em 2010.

Esse sofrimento foi parcialmente resolvido no ano de 2013, quando foi restaurado o primeiro trecho que liga a BR-349 a Sítio do Mato. Três anos depois, em 2016, o trecho que liga Sítio do Mato à Gameleira da Lapa também foi restaurado. Mas, ao que tudo indica o trecho que vai do trevo da Gameleira da Lapa até a BR-242 não sairá por tão cedo. Segundo informações repassadas para nossa redação, a Secretaria de Infraestrutura do Estado (SEINFRA) não tem previsão de obra.

Se não fosse os benefícios dos programas federais de aumento do salário mínimo, do Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) o município teria sua população reduzida em mais da metade devido ao estrago nos meios de subsistência. Atualmente, a maioria da população assiste televisão em suas casas e não demoram muito para perceber que estão fora do País mostrado nas telas. A gestão municipal até tem feito recuperação e realizado melhorias nas estradas vicinais, mas os resultados são limitados.

Com os efeitos das políticas federais, de Brasília, os governadores baianos dos últimos anos foram bastante beneficiados, com votações expressivas, até então incompatíveis para a realidade do município. A presença do poder estadual é mínima e impede o avanço do município em áreas importantes. Além de ter a pior estrada, o município talvez seja o mais esquecido pelas ações do Estado entre os 417 municípios baianos.

Em 2010, o ex-governador Jaques Wagner teve 45% dos votos do município, ante 57% em 2006. Com esperança de que tudo se resolveria o município confiou expressivamente 77% dos votos ao então sucessor Rui Costa. Enquanto isso, senadores e deputados que foram votados no município são apenas autoridades figurativas, quanto a importância dada a essa situação da infraestrutura.

Ao fim, o que se observa é que o município de Sítio do Mato não teve o tratamento adequado e tão pouco digno de Estado, de Governo, diante da sua dura realidade, em função das condições dessa estrada. Isto é, o governo não cuidou de quem mais precisa.

Dezenas de famílias que foram morar em outros lugares, crianças que abandonaram as escolas, ambulância que não tiveram como ir pegar um paciente, fazendas que foram forçadas a reduzirem suas produções ou fecharem as portas, agricultura familiar quebrada em razão do escoamento e tanto outras situações que aumentaram a pobreza e pioraram a qualidade de vida dos cidadãos. Todas essas condições foram perversas e são cicatrizes invisíveis que a população sitiomatense terá com consequência para o RESTO DA VIDA, mesmo sabendo que uma boa propaganda vai esconder tudo isso no momento mais crucial de um cidadão, que é o período eleitoral.

Todas estas circunstância deve reascender a temática da divisão do Estado da Bahia, com a criação do Estado do Rio São Francisco. Como exemplo, dos 10 municípios mais pobres do Estado da Bahia no Censo de 2010, 7 deles estavam no entorno do Rio São Francisco na Região Oeste. É cada vez mais claro a não representatividade da Região e o evidente abandono público diante de necessidade básicas, como infraestrutura.


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